Arquivo mensal: janeiro 2013

O ensino e seu papel na Informática

universidade

Existem alguns sites que apresentam artigos antigos, convidando aos leitores refletirem sobre o assunto de qualidade na informática.

Existem artigos que mencionam que as instituições de ensino sozinhas não conseguem suprir o déficit de conhecimento, visto que há um abismo entre cursos de graduação e a realidade do mercado.

 

 

Parece haver aqui um conflito de ideias e uma percepção errada do papel das Universidades na cultura brasileira e mundial. O objetivo-mor e central das instituições de educação do Brasil é preparar o indivíduo para conhecer a sua área de atuação e seus respectivos ramos de atuação.

A universidade por exemplo prepara a pessoa para conhecer métodos de autores / profissionais do ramo da Informática, dando maiores insights ao estudante, que aprende teorias e realiza laboratórios práticos para solidificar o que foi aprendido. O foco das universidades não é que alguém saia de lá dominando uma ferramenta do mercado, ou seja certificado nesta ou naquela linguagem, que domine configurações de ambiente Cisco, entre outros.

Os autores de artigos destes sites, antes de emitir uma opinião concreta alegando que existe abismo entre educação e o mercado, deveria se preocupar em compreender melhor o objetivo da educação no país.

Não só com a Informática, mas com todas as áreas acontece o mesmo, inclusive nas engenharias. Nem tudo que é visto nos cursos é praticado, pois os alunos se dedicam a conhecer as possibilidades, formar opinião, conhecer bem os conceitos e teorias para escolherem então seu ramo específico de atuação. Essa decisão é a que dá origem a Analistas de Banco de Dados, a Analistas de Sistemas, a Programadores, a Analistas de Suporte, Técnicos em Processamento de Dados… A educação na vida é o ponto de partida para todas as coisas, é a primeira estrada a ser tomada de um longo caminho a ser percorrido.

Lamentamos que existam pessoas que acreditam que as instituições são “obsoletas”, desvalorizando e depreciando o papel da educação no país. É preciso respeitar tanto as universidades, como os centros de ensino técnico-profissionalizantes. Ninguém aqui aprendeu a ler sozinho vendo vídeos de Youtube, todos nós tivemos que passar por ciclos de aprendizado, tendo contato com métodos, teorias, autores, filósofos, história, geografia, para que pudéssemos compreender nossa vida e tomar nossas decisões.

Como tudo na vida tanto o ensino no país como diversos setores precisam de melhoria (saúde, assistência social, etc). Portanto não podemos crucificar instituições ou tampouco culpando-as pelo dito “déficit”.

Acreditamos que não há déficit de conhecimento. O brasileiro é muito capaz e dedicado em todos os ramos, inclusive na Informática. Os demais cursos complementares de especialização ou certificações hoje em dia tem sido tão somente moeda de comércio usada por empresas de informática que buscam vender seus serviços a novos clientes (convencedo-lhes que elas são melhores que outras consultorias), garantindo assim o lucro e mantendo-se competitiva no mercado. Ferramentas comerciais nunca entrarão na grade de ensino universitária, pois não é objetivo mostrar ferramentas mas sim os conceitos que deram origem a elas. Algumas destas ferramentas servem apenas de apoio para os estudantes realizarem determinadas tarefas e exercícios em laboratórios.

Certificações como vemos nas ofertas de trabalho são instrumentos de guerra empresarial, e tampouco garantem alguma qualidade no trabalho: uma pessoa pode memorizar conceitos e ser aprovada num exame mas passado alguns meses ela pode esquecer aquele tema. Sabemos que aprender não é o mesmo que memorizar. No aprender há entendimento da razão pela qual as coisas são e acontecem, enquanto o memorizar não dá entendimento concreto que expliquem os fatos dentro da área de Informática.

É preciso dar valor à educação, e portanto ao conhecimento. Aprender e saber quando usar o conhecimento é sabedoria. Scientia potentia est. Conhecimento é poder.

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O ensino no Brasil é fundamental para o crescimento da Informática. Obviamente está sendo melhorado continuamente com o passar dos anos e temos que ajudar neste processo de evolução sempre usando os órgãos oficiais para propor ideias e sugestões.

Para finalizar, tomemos emprestado os Provérbios de Salomão: Livro dos Provérbios (24,5): גֶּבֶר-חָכָם בַּעוֹז; וְאִישׁ-דַּעַת, מְאַמֶּץ-כֹּחַ, O homem sábio é forte, e o homem de conhecimento consolida a força.

Precisamos portanto consolidar o conhecimento de todos os profissionais, nivelando ao mesmo patamar, porque isso engrandece a área de Informática.

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Como seria o CONFEI sem políticos e empresas lobistas que atrasam o progresso da Informática

Como seria o CONFEI

Nos chegam denúncias de alguns profissionais alertando que há políticos, empresários corruptos e lobistas contratados que atuam em Brasília dificultando o processo de votação do projeto de lei para a aprovação da regulamentação da profissão dos Informáticos (ou Informatas) do país.

Podemos imaginar e especular que tais empresas estão preocupadas primeiramente com seu bolso, visto que a criação de requisitos mínimos para exercício da profissão dificultaria sua prestação de serviço.

Também imaginamos que caso a regulamentação proporcione no futuro um piso salarial mínimo para cargos e níveis dentro da área de Informática, isso criaria um custo adicional para empresas especialmente as irregulares (certamenta as empresas fantasmas, empresas dos “amigos”, da “família”, entre outros).

Queremos ordem na casa, qualidade no serviço prestado, direitos reconhecidos e não pessoas mentalmente e/ou monetariamente corruptas bloqueando o processo, atrapalhando o desenvolvimento da informática, prejudicando profissionais de TI que querem ser valorizados, e causando transtornos à nação e empresas clientes que utilizam serviços e produtos da informática.

Lembramos que a própria bandeira da nação está escrito em letras garrafais “ORDEM E PROGRESSO”. Um não pode haver sem o outro. Progresso não é bloquear ideias e cercear nosso direito de buscar melhores condições de trabalho, melhores condições salariais e regras mínimas para exercer a profissão.

Louvamos os autodidatas que aprendem sem sair de casa recursos de tecnologia de informação, mas é incorreto e injusto valorizá-los em detrimento de profissionais com formação oficial (técnica ou universitária). É preciso que todos se nivelem e que a lei prevaleça de forma igual, justa e coerente para todos.

O projeto de lei é o esboço de uma ideia inicial que busca ordem mínima, e com isso o progresso. Toda pessoa que atua contra a evolução da área, do setor, deveria refletir melhor em quantas vidas estão sendo prejudicadas com esta postura. É preciso respeito pelos profissionais de informática e valorização do seu trabalho.

Não há espaço para lobistas corruptos que degradam o setor, atrasando um processo justo e válido que busca elevar o reconhecimento dos profissionais de TI e da Informática como ciência de apoio aos vários setores da economia mundial.

Políticos e lobistas corruptos: ponham a mão na cabeça, reflitam, sejam patriotas, colaborem com a criação do Projeto 607 de 2007 e ao menos uma vez na vida lutem pela justiça, ajudem a nação.

Não há nada mais sublime na vida que ser honesto, honrado e ajudar a quem precisa de qualidade nos serviços de TI e justiça com os trabalhadores: respectivamente a nação e os profissionais de Informática.

Regulamentação é crucial para conquistar direitos

Regulamentação do profissional de TI

Imagine um país onde as profissões não são regulamentadas. Imagine que qualquer um pode exercer aquela atividade. Imagine que pelo fato de todos “serem aptos” a exercer esta atividade, o salário é baixo visto que, em teoria, todos sabem fazer aquilo, e portanto não existe diferencial competitivo.

Passaram-se uns anos e notou-se a necessidade de criar cursos para permitir que somente pessoas habilitadas pudessem exercer aquela atividade. Negociações na esfera política deram origem aos projetos de lei que instituíram os cursos técnicos e universitários. Agora as pessoas para exercer aquela atividade, precisavam assistir aulas e prestar exames, para que as empresas e o país se assegurasse que somente os aprovados poderiam exercer aquela atividade.

Mas nesse país, como as profissiões não eram regulamentadas, quaisquer pessoas continuavam a exercer aquela atividade de forma irregular, já que não tiveram oportunidade de realizar estes cursos de segundo-grau técnicos ou universitários. O mercado então possuía uma profusão de pessoas de diversas áreas exercendo aquela atividade. Em alguns casos, elas tiveram que fazer curso de pós-graduação e politécnicos de um ano ou dois para poder aumentar sua empregabilidade, permitindo-a atuar naquela atividade, mesmo sem ter a bagagem acadêmica necessária de 4 anos ou mais.

Aí, passaram-se anos, e um empresário tem uma ideia para tirar vantagem (lucro) da miséria de todos. Mas como fazê-lo? Bem, é mais simples que parece. Ele simplesmente inventou um curso. Um curso permitiria que tanto as pessoas com base acadêmica com as que tinham tempo de formação inferior pudessem se aprimorar em um conhecimento, e então finalmente possuir um diferencial competitivo, fazendo com que seu conhecimento seja mais amplo que o das outras pessoas que exercem aquela atividade.

Muito bem, as pessoas começaram a se inscrever no tal curso, e então os empregadores notaram que isso lhes favorecia também, pois poderiam contratar essas pessoas mais habilitadas e ao mesmo tempo oferecer aos seus clientes a ideia de que a empresa dele conta com profissionais mais especializados naquela atividade. Isso fez com que sua empresa se destacasse das demais empresas. Na concorrência de tantas empresas, um diferencial é possuir profissionais qualificados, e foi o que aconteceu. As empresas nesse tempo podiam arcar com um custo maior para contratação destes profissionais especializados.

Mas passaram-se os anos, e o mercado então estava saturado de profissionais especializados, e novamente, todo mundo sabia exercer aquela atividade… Novamente, todos profissionais “estavam aptos”: os com tempo acadêmico longo e os de cursos de especialização de curta duração. O diferencial competitivo se perdeu. Então, um outro empresário teve uma ideia para tirar vantagem (lucro) da miséria de todos novamente. O que ele inventou? Sim, isso mesmo: a certificação. Agora não basta fazer um curso, é preciso fazer provas e exames para avaliar o que foi aprendido, e medindo o coeficiente de rendimento é possível obter-se o não este certificado que atesta que o aluno domina o tema (ainda que seja só teoricamente). A certificação funcionava então como a universidade, onde as pessoas assistem aulas e são submetidas a provas. A certificação era uma extensão da universidade.

As pessoas que queriam melhorar o salário, começaram a fazer o novo curso que lhes proporcionava a chance de ter um certificado que criasse um diferencial competitivo. Agora as empresas que queriam destaque junto aos clientes, contratavam estes profissionais pagando salários bem mais altos, e por consequencia, cobrando muito mais aos clientes por esse serviço. Mas passaram-se os anos, e o mercado novamente se saturou de profissionais especializados, nos mais diferentes assuntos. Todos estavam de novo aptos a exercer a atividade. Agora como a maioria das pessoas sabem exercer aquelas atividades, o diferencial competitivo se acabou, e as empresas pagam agora salários inferiores ao que se pagavam antes pelos mesmos conhecimentos.

Imagine um país, que várias profissões são regulamentadas com êxito, mas que aquela que se criou tantos cursos e especializações não foi. Os profissionais que investiram tempo e dinheiro em suas formações, por mais capazes que sejam, se sentiram injustiçados. E para piorar o cenário, a alta carga tributária imposta pelo governo desse país, fez com que as empresas fizessem truques (maracutaias) para contornar os impostos e conseguir manter-se viva no mercado e lucrando.

Escândalos na esfera política daquele país adiam ainda mais o sonho de que a profissão seja regulamentada, ou seja, que haja regras mínimas para ingressar e exercer aquela atividade, já que com a vasta rede de comunicações existente, o conhecimento é disseminado para várias pessoas, mesmo que eles não representem boas práticas no setor. Imagine um país onde empresas e instituições mantém o interesse que não haja regulamentação, que o caos siga contínua e indefinidamente, onde caem de paraquedas pessoas de outras áreas para exercer aquela atividade, sem haver nenhum tipo de controle ou critério para permití-las exercer a profissão.

Como poderia haver ordem e progresso nesse país se há mentes contrárias à justiça, sem serem justos com todos que investiram tempo e dinheiro em sua formação)?

Eis que naquele país surgiram um grupo de insurgentes, prontos para a luta, a fim de revolucionar a sua área e conscientizar as pessoas da necessidade de haver ao menos um conjunto mínimo de critérios para permitir que se exerça aquela atividade. Os profissionais daquele país queriam sentir-se valorizados. As empresas também mesmo que contrárias, queriam pagar menos impostos e então remunerar de forma justa seus empregados.

Aquele grupo de pessoas é especial, querem que a justiça prevalesça. Estão unidos por uma causa e um ideal. Além da valorização de sua profissão o mercado do país começará finalmente a apresentar uma alta na qualidade da atividade. Clientes e empresas sentirão que podem contar com profissionais que se dedicaram plenamente às suas carreiras. E com regras mínimas, virá uma instituição que irá regular a área, e com uma instituição que apoie o profissional, ele poderá contar com o prestígio da mesma para conquistar direitos e evoluir o setor.

Esse país, é o Brasil. Esta atividade, é a informática.