Arquivo mensal: outubro 2014

Wellington Dias deixa o Senado Federal e finalmente libera o projeto de lei de regulamentação do Analista de Sistemas

wellington-deixa-o-senadoWellington que agora conseguiu o cargo de Governador do Piauí deixa o Senado e liberou o projeto de lei que regulamenta a profissão “Analista de Sistemas e correlatas” que estava engavetado em seu poder desde 25/05/2013. Passou-se mais de um ano e agora pedimos a todos os informatas que acompanhem e cobrem do presidente da CAS – Comissão de Assuntos Sociais o trâmite deste projeto.

Infelizmente a Comissão de Assuntos Sociais é composta por um membro do PMDB, aliado do PT e pelo PCdoB, um partido comunista. Acreditamos que ambos partidos não terão grande interesse em tramitar este tipo de projeto, pela falta de entendimento da criticidade que envolve esta profissão, já que está lidando com dados de pessoas em diversos setores do país. Como não há uma legislação que exija uma formação mínima para atuar nesta profissão, vemos diversos tipos de profissionais não habilitados improvisando soluções sem o menor cuidado no planejamento e desenvolvimento de soluções de software, que observem os fatores qualidade e segurança. Obviamente qualidade e segurança andam na contra-mão da velocidade de entrega.

Assistimos calados ao frenesi de empresários, sempre apressados, por necessidade política ou estratégica, de entregar sistemas num prazo curtíssimo, o que acarreta prejuízo para cidadãos e negócios em diversas áreas como bancária, crédito, transportes, aviação, comércio eletrônico, bolsa de valores, entre outros.

CORRENDO

Uma falha grave nestes sistemas pode acarretar prejuízo a todos nós e percebemos que em alguns casos nunca há um analista responsável mal uso das informações, pelo vazamento de dados de cartão, endereços e telefones. Você se pergunta como diabos uma empresa de telemarketing consegue seu nome e seu número telefônico? Claro que estes dados vem de sistemas de informação que são consultados por funcionários das empresas onde estes bancos de dados estão expostos sem o menor rigor no controle das informações. Entendemos que a empresa não deveria ser responsabilizada pelos atos equivocados destes funcionários e que deveria sim haver a assinatura de um analista habilitado, responsável e comprometido com a segurança e qualidade do projeto. É preciso que haja um responsável para que o mesmo receba a advertência e corrija as não conformidades.

Entendemos que a empresa deve ser protegida das ações involuntárias e mal intencionadas de seus funcionários, pois é importante que o senso de responsabilidade e ética faça parte da constituição do profissional. O Senado tem que compreender que assim como um engenheiro assina uma obra, ele está atestando que a solução oferecida segue todas as normas e padrões conhecidos. Caso o prédio venha a cair, ele deve ser o único responsabilizado.

Uma das formas de garantir qualidade nos sistemas de informação brasileiros é através da criação de uma lei que regulamente, que institua regras mínimas para o exercício da profissão, que no caso do projeto de lei que hoje tratamos aqui é o 607 de 2007, do Analista de Sistemas.

Se você refletiu e compreende que sistemas de informação devem ser levados a sério e que os dados dos cidadãos devem ser manipulados por sistemas seguros que ofereçam padrões mínimos de qualidade, mande sua mensagem de apoio ao projeto de lei para regulamentação desta profissão do Analista de Sistemas pela página:

http://www.senado.leg.br/senado/alosenado/default.asp?s=fs&area=internet&a=f

ou por correio eletrônico a:

1) Presidente da CAS: Senador Waldemir Moka – PMDB – MS

nome civil: Waldemir Moka Miranda de Britto
data de nascimento: 10/10/1951
partido / UF: PMDB / MS
naturalidade: Bela Vista (MS)
endereço parlamentar: Ala Alexandre Costa gab. 07
telefones: (61) 3303-6767 / 6768
FAX: (61) 3303-6774
correio eletrônico: waldemir.moka@senador.leg.br

2) Vice presidente da CAS: Senadora Vanessa Grazziotin – PCdoB – AM

nome civil: Vanessa Grazziotin
data de nascimento: 29/06/1961
partido / UF: PCdoB / AM
naturalidade: Videira (SC)
endereço parlamentar: Ala Senador Alexandre Costa Gab 05
telefones: (61) 3303-6726
FAX: (61) 3303-6734
correio eletrônico: vanessa.grazziotin@senadora.leg.br

Acompanhe o resumo da tramitação do projeto de lei do Analista de Sistemas

http://www.senado.leg.br/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82918

Fiquem à vontade para enviar suas mensagens para outros senadores!

regulamentacao-do-analista-de-sistemas

Anúncios

10 problemas tecnológicos que o Tribunal Superior Eleitoral deveria resolver nas eleições

Trabalhei nas eleições e observei que existe uma série de coisas que deviam ser melhoradas já que contamos com tecnologia de ponta, informatas brilhantes e orçamento público disponível. Afinal de contas, se há dinheiro para fazer concursos públicos, deve sobrar um orçamento para um projeto de sistemas de informação inteligente o suficiente para poupar tempo dos eleitores. Infelizmente estas não são mudanças positivas que não ocorrem no Tribunal Superior Eleitoral – TSE.

Vou citar percepções, de alguém de fora do entorno da informática do TSE, apenas como observador, para indicar problemas que precisam ser trabalhados imediatamente.

1) Consulta de Tìtulo Eleitoral no site do TSE

O site do TSE tenta oferecer um serviço público gratuito de consulta de número de título, para quem esqueceu o bendito número. Você pode consultar por nome, ou seja, informando o seu nome completo, data de nascimento e o nome da sua mãe. E o que aconteceu? Ontem, no fim do dia, não era possível consultar o local de votação conforme figura abaixo.

TSE não consulta local de votação

Tentei o mesmo processo em outros navegadores mas ocorreu o mesmo erro. Em resumo, não foi possível consultar o número do meu título e o local de votação. Certamente outros eleitores tiveram o mesmo problema. O TSE precisa repensar como está feito o load balance para oferecer meios alternativos de distribuir e redirecionar pedidos conforme o volume / tráfego de usuários num tempo razoável. Quando o site não responde por um erro de tempo de resposta ou erro de codificação, isso acarreta prejuízo ao eleitor que não pode votar e este tem que pagar uma multa na sua junta eleitoral a fim de quitar a dívida. Simplesmente não é justo cobrar outros cidadãos por uma falha num portal de interesse público. Como entidade, o TSE tem obrigação de oferecer disponibilidade dos dados também via internet, e não somente por telefones que podem até mesmo estar congestionados.

2) A segunda coisa que se vê é um cabo supergrosso que coneta a urna a um terminal do presidente (terminal este que habilita a urna para voto). Sinceramente parece um cabo cuja espessura parece bem maior que um cabo coaxial. Não tenho ideia de quantos fios passam ali dentro mas devem ser vários, sem dúvida se trata de uma tecnologia de mais de 15 anos atrás. A informática avançou o suficiente para reduzir essa espessura.

3) A terceira coisa é a tela que não é anti reflexiva, o que faz eleitores reclamar que não podem enxergar direito em quem estão votando já que muitas vezes há lâmpadas no teto que iluminam a tela e impedem de visualizar bem os candidatos. O TSE até agora não modificou as urnas para ter telas anti-reflexo.

4) A quarta coisa é o tampa que protete a unidade de disco (memória usb) que contém os votos, que é difícil de abrir, similar a antigos controles remotos que você precisa ter um pé de cabra para conseguir abrir a tampa. Um mecanismo de ejetar realmente não existe e o jeito é colocar algo metálico para forçar a retirada da tampa, o que obviamente pode danificar a tampa. Não custa muito colocar um sistema de ejeção similar a cd/dvds, toca-fitas ou simplesmente um sistema mecânico de chave vire-para-abrir, ou empurre-para-abrir (push-to-open).

93-304SoutchoLatch-2[1]

5) A urna não possui de todos os eleitores e candidatos ativos do país. O fato de não haver estes registros impede que eleitores votem em outras cidades. Se houvesse um grande cadastro em cada urna, qualquer eleitor poderia votar fora de sua zona eleitoral e abandonaria o famoso formulário de justificativa, que na prática é jogar voto fora. Para que isso funcione o TSE precisaria definir se o eleitor fora de sua zona deve votar nos candidatos da zona eleitoral da sua cidade de origem ou poderia votar na cidade destino, ou ainda ter um direito de escolha. No cenário que o eleitor escolha votar pelos candidatos da sua região de origem, a urna deveria conter uma grande massa de dados onde uma tabela centralizaria todos os candidatos ativos do Brasil (que obviamente não passa de alguns milhares) e o eleitor escolheria os candidatos de sua região de origem. A grosso modo entendemos que espaço requerido em SQL Server 2008 por exemplo seria 15 GB para cada 1 milhão de linhas (títulos) ou 2.1 TB para 140 milhões eleitores brasileiros. Ter todos os dados em disco elimina a necessidade de haver conexão de internet com o TSE e permite a todos eleitores votarem em qualquer lugar do Brasil sem precisar preencher formulário de justificativa, que poderia quem sabe ter seu uso descartado. A busca pelo título pode ser bem rápida através de uso de índices num banco de dados relacional. Claro que existem outros formatos como NoSQL, árvore balanceada e outros algorítmos que ajudam a localizar rapidamente um número de título. Outra vantagem de ter todos os títulso à mão é permitir aos mesários informar rapidamente a que zona e seção pertence o eleitor, bem como o endereço da seção eleitoral. Isso pouparia tempo dos cartórios eleitorais e tempo do eleitor de ter que procurar na internet pelo endereço.

6) A urna não conta com bateria digna. Ouvimos no treinamento histórias que a bateria da urna durou menos tempo que o previsto quando o correto é durar mais tempo que o necessário. A energia da bateria interna deveria ser de pelo menos 24 horas de duração, e poderia haver um efeito “dim” para redução do brilho da tela e do consumo de energia para otimizar o uso de energia elétrica.

7) Não existe leitor de QR code, código de barras ou similar para facilitar a leitura do número do título, até mesmo porque o título brasileiro não possui área para este código, pelo menos os que eu vi (e foram vários).

Qr-2[1]

O título tampouco tem foto, bem, já houve uma época no Brasil que títulos tinham foto mas alguém fez o favor de “tirar”, nos obrigando a ter a figura do mesário para ficar pedindo outro documento adicional com foto, filiação e data de nascimento.

titulode1960[1]

Se o título contivesse código de barras e foto, já eliminaríamos a figura do mesário, 2o. mesário já que não há necessidade de buscar num caderno as pessoas que votaram, afinal de contas as pessoas estariam registradas na urna e não faz sentido ficar destacando papéis para dizer que votou. A urna poderia emitir o comprovante ou o eleitor poderia emitir desde cada via internet. É amigos, o caderno de votação não faz sentido algum.

A melhor saída no entanto é a unificação dos documentos de identificação no Brasil, onde a identidade obrigatoriamente viessem com os códigos do CPF e Título eleitoral, permitindo ao eleitor votar usando quaisquer um destes números.

8) TSE não te deixa votar via internet mesmo no mundo digitalizado em que nos encontramos com proliferação de emissores e órgãos certificadores digitais como Certsign, o TSE não te permite votar de casa ou via celular. O TSE deveria permitir aos eleitores votarem facilmente de qualquer lugar do Brasil e do mundo, para todos os cargos políticos e não somente para presidente (quando você está morando no exterior). O TSE precisa reunir informatas profissionais de segurança da informação para alinhar esta demanda e implementar um mecanismo extra para dar comodidade a eleitores e qualidade de vida já que alguns tem eleitores tem mobilidade reduzida.

tse-votacao-por-celular

9) Identificação biométrica funciona? Parece que não pois provocou filas enormes. O sistema biométrico aumentou ainda mais as filas devido a dificuldade de identificar rapidamente eleitores mais idosos. Segundo as notícias mais recentes na tv, o TSE está estudando em treinar mais os mesários. Entendemos que isso não é um problema de falta de treinamento de mesários mas sim de uma tecnologia equivocada para colher votos de eleitores. O sistema biométrico como todos os outros não é perfeito, sobretudo o de digital, já que a digital muda com o passar dos anos e a similaridade pode ser bem relativa na identificação de cada eleitor. Obviamente identificação de digital não vai funcionar muito bem devido às variações que existe de pessoa a pessoa.

10) Gravação de dados lenta, muito lenta. Vemos que o presidente do TSE não entende muito de tecnologia de informação, já que alegou em entrevista que isoo é totalmente normal mas para qualquer informata que trabalhe com sistemas de informação percebe que é um exagero o tempo de gravação que a urna leva para persistir dados na mídia (memória). É notório que a taxa de transferência de dados para gravação dos votos dados pelo eleitor não devia levar tanto tempo na conclusão de uma votação. Após escolher o último candidato a presidente muitos eleitores no Brasil inteiro viram a famosa barra de progresso que com certeza pode ser evitada com mídias mais rápidas e transferência compatível com USB 3.0. Hoje em dia a velha de guerra USB 2.0 teoricamente pode transferir dados a 480 megabits por segundo (mbps), ou 60 megabytes por segundo (MBps). Só que a USB 3.0 é mais impressionante pois pode lidar com até 5gbps (640MBps) — 10 vezes mais rápida que uma USB 2.0.

URNA CARREGANDO