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Greve dos Informatas será realizada no dia 18 de outubro como resposta ao descaso com projetos de lei de regulamentação

Como forma de protestar e chamar a atenção do Senado federal e da Câmara dos Deputados em relação ao descaso com os projetos de lei de regulamentação do Informata, o grupo CONFEI que mobiliza forças a favor da regulamentação da profissão divulgou que haverá uma paralisação geral da classe informata dia 18 de outubro.

Somente um percentual reduzido de serviços de suporte emergenciais serão mantidos. Atividades de análise, desenvolvimento, engenharia de sistemas e consultoria não serão realizados nesse dia.

De acordo com ao grupo, estão previstos protestos e atos em todos os estados para alertar a população sobre o problema da falta de atenção por parte dos políticos nos projetos que circulam no Senado Federal e Câmara dos Deputados.

Entidades sindicais estão convidadas a participar do movimento.

Greve dos Informatas do Brasil dia 18 de outubro

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Regulamentação é crucial para conquistar direitos

Regulamentação do profissional de TI

Imagine um país onde as profissões não são regulamentadas. Imagine que qualquer um pode exercer aquela atividade. Imagine que pelo fato de todos “serem aptos” a exercer esta atividade, o salário é baixo visto que, em teoria, todos sabem fazer aquilo, e portanto não existe diferencial competitivo.

Passaram-se uns anos e notou-se a necessidade de criar cursos para permitir que somente pessoas habilitadas pudessem exercer aquela atividade. Negociações na esfera política deram origem aos projetos de lei que instituíram os cursos técnicos e universitários. Agora as pessoas para exercer aquela atividade, precisavam assistir aulas e prestar exames, para que as empresas e o país se assegurasse que somente os aprovados poderiam exercer aquela atividade.

Mas nesse país, como as profissiões não eram regulamentadas, quaisquer pessoas continuavam a exercer aquela atividade de forma irregular, já que não tiveram oportunidade de realizar estes cursos de segundo-grau técnicos ou universitários. O mercado então possuía uma profusão de pessoas de diversas áreas exercendo aquela atividade. Em alguns casos, elas tiveram que fazer curso de pós-graduação e politécnicos de um ano ou dois para poder aumentar sua empregabilidade, permitindo-a atuar naquela atividade, mesmo sem ter a bagagem acadêmica necessária de 4 anos ou mais.

Aí, passaram-se anos, e um empresário tem uma ideia para tirar vantagem (lucro) da miséria de todos. Mas como fazê-lo? Bem, é mais simples que parece. Ele simplesmente inventou um curso. Um curso permitiria que tanto as pessoas com base acadêmica com as que tinham tempo de formação inferior pudessem se aprimorar em um conhecimento, e então finalmente possuir um diferencial competitivo, fazendo com que seu conhecimento seja mais amplo que o das outras pessoas que exercem aquela atividade.

Muito bem, as pessoas começaram a se inscrever no tal curso, e então os empregadores notaram que isso lhes favorecia também, pois poderiam contratar essas pessoas mais habilitadas e ao mesmo tempo oferecer aos seus clientes a ideia de que a empresa dele conta com profissionais mais especializados naquela atividade. Isso fez com que sua empresa se destacasse das demais empresas. Na concorrência de tantas empresas, um diferencial é possuir profissionais qualificados, e foi o que aconteceu. As empresas nesse tempo podiam arcar com um custo maior para contratação destes profissionais especializados.

Mas passaram-se os anos, e o mercado então estava saturado de profissionais especializados, e novamente, todo mundo sabia exercer aquela atividade… Novamente, todos profissionais “estavam aptos”: os com tempo acadêmico longo e os de cursos de especialização de curta duração. O diferencial competitivo se perdeu. Então, um outro empresário teve uma ideia para tirar vantagem (lucro) da miséria de todos novamente. O que ele inventou? Sim, isso mesmo: a certificação. Agora não basta fazer um curso, é preciso fazer provas e exames para avaliar o que foi aprendido, e medindo o coeficiente de rendimento é possível obter-se o não este certificado que atesta que o aluno domina o tema (ainda que seja só teoricamente). A certificação funcionava então como a universidade, onde as pessoas assistem aulas e são submetidas a provas. A certificação era uma extensão da universidade.

As pessoas que queriam melhorar o salário, começaram a fazer o novo curso que lhes proporcionava a chance de ter um certificado que criasse um diferencial competitivo. Agora as empresas que queriam destaque junto aos clientes, contratavam estes profissionais pagando salários bem mais altos, e por consequencia, cobrando muito mais aos clientes por esse serviço. Mas passaram-se os anos, e o mercado novamente se saturou de profissionais especializados, nos mais diferentes assuntos. Todos estavam de novo aptos a exercer a atividade. Agora como a maioria das pessoas sabem exercer aquelas atividades, o diferencial competitivo se acabou, e as empresas pagam agora salários inferiores ao que se pagavam antes pelos mesmos conhecimentos.

Imagine um país, que várias profissões são regulamentadas com êxito, mas que aquela que se criou tantos cursos e especializações não foi. Os profissionais que investiram tempo e dinheiro em suas formações, por mais capazes que sejam, se sentiram injustiçados. E para piorar o cenário, a alta carga tributária imposta pelo governo desse país, fez com que as empresas fizessem truques (maracutaias) para contornar os impostos e conseguir manter-se viva no mercado e lucrando.

Escândalos na esfera política daquele país adiam ainda mais o sonho de que a profissão seja regulamentada, ou seja, que haja regras mínimas para ingressar e exercer aquela atividade, já que com a vasta rede de comunicações existente, o conhecimento é disseminado para várias pessoas, mesmo que eles não representem boas práticas no setor. Imagine um país onde empresas e instituições mantém o interesse que não haja regulamentação, que o caos siga contínua e indefinidamente, onde caem de paraquedas pessoas de outras áreas para exercer aquela atividade, sem haver nenhum tipo de controle ou critério para permití-las exercer a profissão.

Como poderia haver ordem e progresso nesse país se há mentes contrárias à justiça, sem serem justos com todos que investiram tempo e dinheiro em sua formação)?

Eis que naquele país surgiram um grupo de insurgentes, prontos para a luta, a fim de revolucionar a sua área e conscientizar as pessoas da necessidade de haver ao menos um conjunto mínimo de critérios para permitir que se exerça aquela atividade. Os profissionais daquele país queriam sentir-se valorizados. As empresas também mesmo que contrárias, queriam pagar menos impostos e então remunerar de forma justa seus empregados.

Aquele grupo de pessoas é especial, querem que a justiça prevalesça. Estão unidos por uma causa e um ideal. Além da valorização de sua profissão o mercado do país começará finalmente a apresentar uma alta na qualidade da atividade. Clientes e empresas sentirão que podem contar com profissionais que se dedicaram plenamente às suas carreiras. E com regras mínimas, virá uma instituição que irá regular a área, e com uma instituição que apoie o profissional, ele poderá contar com o prestígio da mesma para conquistar direitos e evoluir o setor.

Esse país, é o Brasil. Esta atividade, é a informática.